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O que a imagem mostra

A imagem mostra Mercúrio em uma faixa do hemisfério norte observada durante o quinto sobrevoo da missão BepiColombo. Nessa região aparecem crateras de impacto, uma planície vulcânica extensa e parte da bacia Caloris, uma das estruturas mais marcantes do planeta. O registro foi feito em infravermelho médio, algo inédito para Mercúrio em observações espaciais, e por isso não é apenas “uma foto bonita”: ele também traz informações sobre temperatura e composição da superfície.
Quando aconteceu esse sobrevoo
O registro citado pela Space.com foi feito em 1º de dezembro de 2024, durante o quinto sobrevoo de Mercúrio pela BepiColombo. Nessa passagem, a nave chegou a cerca de 37.626 quilômetros do planeta. Embora não tenha sido o encontro mais próximo da missão, foi a primeira oportunidade do instrumento MERTIS observar a superfície mercuriana nesse comprimento de onda.
Depois disso, a missão ainda realizou seu sexto e último sobrevoo em 8 de janeiro de 2025, a apenas 295 quilômetros da superfície, concluindo a fase de assistências gravitacionais antes da inserção orbital, prevista para o fim de 2026.
Por que essa observação é diferente
O grande destaque desse sobrevoo foi o uso do MERTIS, o radiômetro e espectrômetro térmico da missão. Em vez de captar luz visível, ele mede como as rochas de Mercúrio emitem radiação no infravermelho médio. Isso permite estimar temperatura, rugosidade do terreno e, principalmente, pistas sobre a composição mineral da superfície.
Como Mercúrio tem uma superfície extremamente aquecida pelo Sol e surpreendentemente pobre em ferro, os cientistas vêm há anos aquecendo minerais em laboratório para comparar suas “assinaturas térmicas” com os dados da sonda. A ideia é descobrir com mais precisão do que o planeta é feito e como ele evoluiu tão perto do Sol.
O que aparece na superfície: crateras, lava e uma bacia gigante
Entre os alvos observados estão parte de uma grande planície vulcânica e a famosa Caloris Basin, uma vasta bacia de impacto que depois foi parcialmente preenchida por material vulcânico. Também aparece a cratera Bashō, já fotografada por missões anteriores como a Mariner 10 e a MESSENGER.
Essa combinação é especialmente interessante porque junta dois processos geológicos fundamentais em Mercúrio: impactos antigos, que escavaram crateras e bacias gigantes, e vulcanismo, que cobriu partes do planeta com extensas planícies de lava ao longo de sua história inicial.
O que os cientistas esperam aprender com isso
A missão BepiColombo quer responder uma pergunta central: do que Mercúrio é feito, de verdade? A composição do planeta é um quebra-cabeça importante porque Mercúrio possui um núcleo metálico enorme em relação ao seu tamanho e uma história de formação ainda não totalmente compreendida. Saber quais minerais dominam as planícies vulcânicas e as regiões impactadas ajuda a reconstruir essa história. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
Os dados do MERTIS coletados nesse sobrevoo ainda têm resolução relativamente baixa, entre cerca de 26 e 30 quilômetros por pixel, mas já servem para testar o instrumento em condições reais. Quando a nave estiver em órbita, a expectativa é mapear toda a superfície com resolução próxima de 500 metros, o que mudará completamente o nível de detalhe disponível.
Por que a BepiColombo precisou fazer tantos sobrevoos
Chegar a Mercúrio é muito mais difícil do que parece. Como o planeta está tão perto do Sol, uma nave precisa perder muita energia orbital para conseguir ser capturada. Por isso, a BepiColombo seguiu uma rota em espiral pelo Sistema Solar interno, usando assistências gravitacionais da Terra, de Vênus e do próprio Mercúrio. :contentReference[oaicite:10]{index=10}
Ao todo, a missão realizou seis sobrevoos de Mercúrio. Cada um deles serviu ao mesmo tempo como manobra orbital e como oportunidade científica, permitindo testar instrumentos antes do início oficial da missão em órbita.
O que acontece agora
Depois do sexto sobrevoo, a BepiColombo entrou na etapa final de preparação para a inserção orbital em late 2026, quando os módulos da missão serão separados e os orbitadores científico europeus e japoneses começarão a estudar Mercúrio de forma contínua.
A partir daí, o objetivo será montar o retrato mais completo já feito do planeta mais interno do Sistema Solar: sua superfície, campo magnético, exosfera, interior e interação com o vento solar.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é a BepiColombo?
É uma missão conjunta da ESA e da JAXA para estudar Mercúrio. Ela leva dois orbitadores científicos e um módulo de transferência que a conduziu até o planeta.
Essa imagem foi feita em luz visível?
Não exatamente. O destaque da observação foi o uso do infravermelho médio, que revela informações sobre calor e composição mineral da superfície.
O que é a Caloris Basin?
É uma das maiores bacias de impacto de Mercúrio, com cerca de 1.500 quilômetros de diâmetro, e uma das feições geológicas mais importantes do planeta.
Por que Mercúrio tem tantas crateras?
Porque sua superfície antiga preserva marcas de impactos ao longo de bilhões de anos, e o planeta quase não tem atmosfera nem processos erosivos fortes para apagar essas cicatrizes.
Quando a missão começa de fato em órbita?
A entrada em órbita está prevista para o fim de 2026, quando a fase científica principal deverá começar. :contentReference[oaicite:14]{index=14}
Fonte: Space.com — BepiColombo spacecraft flies by Mercury, sees volcanic plain and impact craters