|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
O que a imagem da NASA mostra

A imagem destaca o cone quase perfeito do Mayon, um dos vulcões mais ativos das Filipinas. As áreas em vermelho e laranja não representam “cor real”, mas uma sobreposição infravermelha usada para realçar o calor da lava perto do cume e ao longo de canais que descem principalmente para leste e sudeste. O contraste com as encostas verdes e povoadas na parte baixa ajuda a mostrar como a atividade ficou concentrada no alto da montanha, mas ainda assim próxima de áreas habitadas.
Onde fica o Mayon e por que ele chama tanta atenção
O Mayon fica na ilha de Luzon, próximo aos golfos de Albay e Lagonoy, nas Filipinas. Ele se ergue a mais de 2.400 metros acima do nível do mar e é famoso pelo seu perfil extremamente simétrico, que faz dele um dos estratovulcões mais reconhecíveis do planeta.
Essa beleza geométrica, porém, vem com um custo: o Mayon é também o vulcão mais ativo do país. Registros históricos indicam 65 erupções nos últimos 5.000 anos, o que ajuda a explicar por que ele é monitorado de perto por cientistas e autoridades filipinas.
Como começou o episódio eruptivo de 2026
Segundo a NASA, a fase atual da erupção começou em janeiro de 2026. O instituto filipino PHIVOLCS detectou aumento de desprendimentos de rochas perto do cume e inflação nas encostas superiores, sinais clássicos de que magma estava pressionando a estrutura do vulcão.
Em 6 de janeiro de 2026, o nível de alerta foi elevado para 3 em uma escala de 5, depois que a lava começou a sair da cratera e nuvens quentes de cinzas e detritos — os chamados fluxos piroclásticos — passaram a descer por um dos flancos.
O detalhe mais perigoso: os fluxos piroclásticos
O elemento mais crítico desse evento não é apenas a lava visível, mas os fluxos piroclásticos. Eles são correntes extremamente quentes e rápidas de gás, cinzas e fragmentos de rocha, capazes de devastar tudo no caminho. Na data da imagem, o fluxo mais longo havia percorrido cerca de 4 quilômetros pelo Mi-isi Gully, no flanco sudeste.
Esse tipo de fenômeno explica por que o Mayon é tratado com tanta cautela. Em erupções passadas, fluxos piroclásticos foram responsáveis por episódios fatais e altamente destrutivos.
Evacuações e risco para comunidades próximas
O alerta de nível 3 permaneceu em vigor em março de 2026 e levou à evacuação de moradores em um raio de 6 quilômetros ao redor da cratera. Comunidades como Tabaco City, Malilpot e Camalig tiveram famílias deslocadas por precaução.
A preocupação é totalmente justificada pelo histórico do vulcão: erupções anteriores do Mayon causaram mais de 1.000 mortes em 1814, pelo menos 400 mortes em 1897 e 77 mortes em 1993. Em 1984, mais de 73 mil pessoas precisaram ser evacuadas.
O papel do dióxido de enxofre no monitoramento
Além da lava e dos fluxos, cientistas acompanham de perto as emissões de dióxido de enxofre (SO₂), um gás importante para medir a intensidade do sistema magmático. Durante essa erupção, as emissões médias chegaram a 2.466 toneladas por dia, com picos de 6.569 toneladas em 4 de fevereiro e depois 7.633 toneladas em 6 de março de 2026.
A NASA também observou grandes plumas de SO₂ se deslocando para sudoeste, mostrando como satélites conseguem monitorar não apenas a lava e o relevo, mas também a composição atmosférica associada à erupção.
Por que o Landsat 8 é tão útil nesse tipo de evento
A cena foi registrada pelo OLI (Operational Land Imager) a bordo do Landsat 8 em um momento relativamente raro de céu limpo. Isso permitiu combinar a visão em cor natural com dados infravermelhos para destacar a assinatura térmica da lava.
Em vulcanologia por satélite, esse tipo de imagem é valioso porque ajuda a mapear onde o calor está concentrado, quais canais estão sendo usados pelos fluxos e como a atividade muda ao longo do tempo. Em um vulcão tão ativo quanto o Mayon, isso é essencial para vigilância e resposta a riscos.
Perguntas frequentes (FAQ)
O Mayon está em erupção explosiva total?
O episódio descrito pela NASA mostra erupção em andamento com lava, fluxos piroclásticos, terremotos vulcânicos e emissões intensas de gás. O nível de alerta 3 indica atividade significativa e possibilidade de escalada, mas não corresponde ao nível máximo.
O que é um fluxo piroclástico?
É uma corrente muito quente e veloz de gás, cinzas e fragmentos vulcânicos que desce as encostas. É um dos fenômenos mais perigosos de uma erupção porque pode atingir áreas povoadas com pouco tempo de reação.
Por que a imagem mostra vermelho sobre o vulcão?
Porque a NASA sobrepôs dados infravermelhos à imagem visível para destacar o calor da lava. Não é a cor “real” vista a olho nu, mas uma forma de tornar o calor mais fácil de interpretar.
Por que o Mayon é considerado tão perigoso?
Porque ele entra em erupção com frequência, fica perto de áreas habitadas e tem histórico de fluxos piroclásticos mortais, grandes evacuações e forte emissão de gases e cinzas.
Fonte oficial: NASA Science — Eruption at Mayon