Erupção do vulcão Mayon em 2026: imagem da NASA mostra lava, fluxos piroclásticos e calor no cone

A NASA Earth Observatory publicou uma nova imagem do vulcão Mayon, nas Filipinas, registrada pelo Landsat 8 em 26 de fevereiro de 2026. A cena mostra lava descendo pelas encostas, fluxos piroclásticos avançando por vales no flanco sudeste e uma assinatura térmica intensa perto da cratera, em meio a um episódio eruptivo que começou em janeiro e provocou evacuações em comunidades próximas.
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O que a imagem da NASA mostra

Imagem de satélite do vulcão Mayon nas Filipinas mostrando encostas marrons próximas ao cume, vegetação verde nas partes baixas e uma assinatura térmica vermelha indicando lava e calor vulcânico
Imagem 1: O vulcão Mayon visto pelo Landsat 8 em 26 de fevereiro de 2026, com sobreposição infravermelha destacando a assinatura de calor da lava. Crédito: NASA Earth Observatory / USGS.

A imagem destaca o cone quase perfeito do Mayon, um dos vulcões mais ativos das Filipinas. As áreas em vermelho e laranja não representam “cor real”, mas uma sobreposição infravermelha usada para realçar o calor da lava perto do cume e ao longo de canais que descem principalmente para leste e sudeste. O contraste com as encostas verdes e povoadas na parte baixa ajuda a mostrar como a atividade ficou concentrada no alto da montanha, mas ainda assim próxima de áreas habitadas.

Onde fica o Mayon e por que ele chama tanta atenção

O Mayon fica na ilha de Luzon, próximo aos golfos de Albay e Lagonoy, nas Filipinas. Ele se ergue a mais de 2.400 metros acima do nível do mar e é famoso pelo seu perfil extremamente simétrico, que faz dele um dos estratovulcões mais reconhecíveis do planeta.

Essa beleza geométrica, porém, vem com um custo: o Mayon é também o vulcão mais ativo do país. Registros históricos indicam 65 erupções nos últimos 5.000 anos, o que ajuda a explicar por que ele é monitorado de perto por cientistas e autoridades filipinas.

Como começou o episódio eruptivo de 2026

Segundo a NASA, a fase atual da erupção começou em janeiro de 2026. O instituto filipino PHIVOLCS detectou aumento de desprendimentos de rochas perto do cume e inflação nas encostas superiores, sinais clássicos de que magma estava pressionando a estrutura do vulcão.

Em 6 de janeiro de 2026, o nível de alerta foi elevado para 3 em uma escala de 5, depois que a lava começou a sair da cratera e nuvens quentes de cinzas e detritos — os chamados fluxos piroclásticos — passaram a descer por um dos flancos.

O detalhe mais perigoso: os fluxos piroclásticos

O elemento mais crítico desse evento não é apenas a lava visível, mas os fluxos piroclásticos. Eles são correntes extremamente quentes e rápidas de gás, cinzas e fragmentos de rocha, capazes de devastar tudo no caminho. Na data da imagem, o fluxo mais longo havia percorrido cerca de 4 quilômetros pelo Mi-isi Gully, no flanco sudeste.

Esse tipo de fenômeno explica por que o Mayon é tratado com tanta cautela. Em erupções passadas, fluxos piroclásticos foram responsáveis por episódios fatais e altamente destrutivos.

Evacuações e risco para comunidades próximas

O alerta de nível 3 permaneceu em vigor em março de 2026 e levou à evacuação de moradores em um raio de 6 quilômetros ao redor da cratera. Comunidades como Tabaco City, Malilpot e Camalig tiveram famílias deslocadas por precaução.

A preocupação é totalmente justificada pelo histórico do vulcão: erupções anteriores do Mayon causaram mais de 1.000 mortes em 1814, pelo menos 400 mortes em 1897 e 77 mortes em 1993. Em 1984, mais de 73 mil pessoas precisaram ser evacuadas.

O papel do dióxido de enxofre no monitoramento

Além da lava e dos fluxos, cientistas acompanham de perto as emissões de dióxido de enxofre (SO₂), um gás importante para medir a intensidade do sistema magmático. Durante essa erupção, as emissões médias chegaram a 2.466 toneladas por dia, com picos de 6.569 toneladas em 4 de fevereiro e depois 7.633 toneladas em 6 de março de 2026.

A NASA também observou grandes plumas de SO₂ se deslocando para sudoeste, mostrando como satélites conseguem monitorar não apenas a lava e o relevo, mas também a composição atmosférica associada à erupção.

Por que o Landsat 8 é tão útil nesse tipo de evento

A cena foi registrada pelo OLI (Operational Land Imager) a bordo do Landsat 8 em um momento relativamente raro de céu limpo. Isso permitiu combinar a visão em cor natural com dados infravermelhos para destacar a assinatura térmica da lava.

Em vulcanologia por satélite, esse tipo de imagem é valioso porque ajuda a mapear onde o calor está concentrado, quais canais estão sendo usados pelos fluxos e como a atividade muda ao longo do tempo. Em um vulcão tão ativo quanto o Mayon, isso é essencial para vigilância e resposta a riscos.

Perguntas frequentes (FAQ)

O Mayon está em erupção explosiva total?

O episódio descrito pela NASA mostra erupção em andamento com lava, fluxos piroclásticos, terremotos vulcânicos e emissões intensas de gás. O nível de alerta 3 indica atividade significativa e possibilidade de escalada, mas não corresponde ao nível máximo.

O que é um fluxo piroclástico?

É uma corrente muito quente e veloz de gás, cinzas e fragmentos vulcânicos que desce as encostas. É um dos fenômenos mais perigosos de uma erupção porque pode atingir áreas povoadas com pouco tempo de reação.

Por que a imagem mostra vermelho sobre o vulcão?

Porque a NASA sobrepôs dados infravermelhos à imagem visível para destacar o calor da lava. Não é a cor “real” vista a olho nu, mas uma forma de tornar o calor mais fácil de interpretar.

Por que o Mayon é considerado tão perigoso?

Porque ele entra em erupção com frequência, fica perto de áreas habitadas e tem histórico de fluxos piroclásticos mortais, grandes evacuações e forte emissão de gases e cinzas.

Fonte oficial: NASA Science — Eruption at Mayon