Expedição 74: tripulação da ISS prepara caminhada espacial e estudos de saúde humana

A tripulação da Expedição 74 dedicou o dia 24 de junho de 2026 a preparativos para uma caminhada espacial programada para 30 de junho e a pesquisas biomédicas a bordo da Estação Espacial Internacional. Astronautas revisaram ferramentas, procedimentos e manobras robóticas para substituir uma junta defeituosa no braço robótico Canadarm2, enquanto outros tripulantes realizaram exames de visão, estudos cardiovasculares e testes de tecnologias com inteligência artificial.
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Expedição 74: tripulação da ISS prepara caminhada espacial e estudos de saúde humana

A rotina a bordo da Estação Espacial Internacional, a ISS, combina duas frentes essenciais da exploração espacial: manter a estação funcionando e fazer ciência em microgravidade. Em 24 de junho de 2026, a tripulação da Expedição 74 dedicou o dia a essas duas tarefas.

De um lado, astronautas da NASA e da ESA se prepararam para uma caminhada espacial programada para 30 de junho, com o objetivo de substituir uma junta defeituosa no braço robótico Canadarm2. De outro, tripulantes realizaram exames médicos, estudos cardiovasculares, testes respiratórios e avaliações de tecnologias com inteligência artificial.

A atualização da NASA mostra bem como a vida na ISS é uma mistura de oficina orbital, laboratório biomédico e centro de testes para futuras missões à Lua e a Marte.

Embora a caminhada espacial chame mais atenção, a pesquisa humana realizada no mesmo dia é igualmente importante. Cada exame de visão, sensor cardíaco ou medição de pressão ajuda médicos e engenheiros a entender como o corpo humano se adapta à microgravidade — conhecimento essencial para missões de longa duração.

Astronauta Sophie Adenot auxilia Chris Williams durante teste de traje espacial na Estação Espacial Internacional
A astronauta Sophie Adenot, da ESA, auxilia Chris Williams, da NASA, durante testes de traje espacial no módulo Quest da Estação Espacial Internacional. Crédito: NASA.

O que estava acontecendo na Expedição 74?

A Expedição 74 é uma missão de longa duração na Estação Espacial Internacional. Segundo a NASA, ela começou em 8 de dezembro de 2025 e estava prevista para terminar em julho de 2026.

A tripulação listada pela NASA inclui o comandante Sergey Kud-Sverchkov, da Roscosmos, e os engenheiros de voo Chris Williams, Sergei Mikaev, Jessica Meir, Jack Hathaway, Sophie Adenot e Andrey Fedyaev.

No dia 24 de junho, os trabalhos se concentraram em três áreas principais: preparação para caminhada espacial, apoio a operações robóticas e pesquisa biomédica.

Essa combinação é típica da ISS. A estação precisa ser mantida constantemente, seus sistemas precisam de reparos e atualizações, e os astronautas também funcionam como sujeitos e operadores de experimentos científicos.

Qual era o objetivo da caminhada espacial?

A caminhada espacial estava programada para 30 de junho de 2026, com início previsto por volta das 8h35 EDT. Os astronautas Chris Williams e Jessica Meir deveriam sair pelo módulo Quest, a câmara de descompressão da parte americana da estação.

O objetivo principal era substituir uma junta de punho defeituosa no braço robótico Canadarm2.

O Canadarm2 é um dos sistemas mais importantes da ISS. Ele movimenta cargas, auxilia espaçonaves de carga, apoia caminhadas espaciais e permite posicionar equipamentos externos com precisão.

Segundo a NASA, a junta apresentou mau funcionamento durante operações normais em 27 de maio, quando o braço registrou corrente elevada no motor e não se moveu como esperado. A agência informou que trabalhou com a Agência Espacial Canadense, a CSA, para entender o problema e determinar que seria necessário substituir a peça usando um componente reserva já a bordo da estação.

O que será feito na caminhada espacial?

Williams e Meir deveriam passar cerca de seis horas e meia fora da estação. A tarefa principal seria acessar a área do Canadarm2, remover a junta defeituosa e instalar a peça reserva.

Em uma caminhada espacial, cada movimento precisa ser planejado com extremo cuidado. Os astronautas trabalham no vácuo, presos por cabos de segurança, usando trajes pressurizados e ferramentas projetadas para funcionar com luvas grandes e pouca mobilidade.

Entre os equipamentos preparados estavam ferramentas do tipo pistol grip, câmeras, bolsas de armazenamento e amarras de segurança. Esses itens são essenciais para fixar os astronautas, prender ferramentas e evitar que qualquer objeto se perca no espaço.

A NASA também classificou essa atividade como a caminhada espacial americana 95 e informou que ela seria a 280ª caminhada espacial em apoio à montagem, manutenção e atualização da estação.

Astronauta Jessica Meir durante caminhada espacial fora da Estação Espacial Internacional em março de 2026
Jessica Meir durante uma caminhada espacial em 18 de março de 2026. Em 30 de junho, Meir e Chris Williams estavam programados para sair novamente da ISS para reparar o Canadarm2. Crédito: NASA.

Por que o Canadarm2 é tão importante?

O Canadarm2 é um braço robótico desenvolvido pelo Canadá e instalado na Estação Espacial Internacional. Ele funciona como uma ferramenta externa de manipulação, permitindo mover grandes componentes, cargas e equipamentos ao redor da estação.

Durante anos, o Canadarm2 foi essencial para capturar espaçonaves de carga, reposicionar instrumentos e apoiar astronautas em atividades externas.

Como qualquer sistema mecânico em operação contínua, ele precisa de manutenção. A NASA destacou que reparos em sistemas robóticos como o Canadarm2 são normais e esperados depois de mais de 25 anos de operações contínuas da estação.

O próprio projeto do sistema considera a substituição de componentes. Isso é fundamental em um ambiente onde não é possível simplesmente levar o equipamento para uma oficina na Terra.

Como os astronautas se prepararam?

Chris Williams e Jessica Meir revisaram procedimentos, inspecionaram amarras de segurança e organizaram os equipamentos que seriam levados para fora da estação.

Também houve treinamento com os demais tripulantes envolvidos no apoio à caminhada espacial. Williams, Meir, Jack Hathaway e Sophie Adenot conversaram com controladores de missão em Houston para revisar os procedimentos.

Depois, o grupo praticou em computador as manobras robóticas delicadas necessárias para acessar e substituir a junta do Canadarm2.

Esse ensaio é essencial porque, durante a atividade real, os astronautas do lado de fora dependem da coordenação com colegas dentro da estação e com equipes no controle de missão. Qualquer ajuste do braço robótico precisa ser feito com precisão e comunicação clara.

Quem apoiaria a caminhada espacial de dentro da ISS?

Segundo a NASA, Jack Hathaway e Sophie Adenot teriam papel fundamental no apoio à caminhada espacial.

Dentro da estação, eles ajudariam Williams e Meir a vestir e remover os trajes espaciais, monitorariam a atividade extraveicular e ajustariam cuidadosamente o Canadarm2 durante o trabalho de reparo.

Esse apoio interno é tão importante quanto a atividade externa. Caminhadas espaciais dependem de uma equipe coordenada: astronautas do lado de fora, tripulantes no interior da estação e especialistas em solo acompanhando telemetria, comunicações e cronograma.

Na prática, uma caminhada espacial nunca é uma atividade de apenas duas pessoas. É uma operação conjunta que envolve dezenas de profissionais em órbita e na Terra.

Por que testar o traje espacial antes?

Na imagem destacada da NASA, Sophie Adenot auxilia Chris Williams enquanto ele testa o traje espacial dentro do módulo Quest.

Esse tipo de preparação verifica conforto, mobilidade, comunicação e sistemas de suporte à vida. O traje espacial precisa manter pressão, controlar temperatura, fornecer oxigênio, remover dióxido de carbono e permitir que o astronauta trabalhe com segurança.

Mesmo pequenos problemas podem comprometer uma caminhada espacial. Por isso, os trajes são testados, ajustados e verificados antes da atividade.

O astronauta também precisa confirmar se consegue se mover adequadamente, usar ferramentas e comunicar-se com a equipe. Fora da estação, cada tarefa exige força, coordenação e resistência dentro de um traje rígido e pressurizado.

A parte científica do dia: exames de visão

Além da preparação operacional, a tripulação realizou pesquisas de saúde humana.

Jessica Meir operou equipamentos de imagem médica no módulo Harmony para examinar a retina, o cristalino e a córnea de Chris Williams. O objetivo era acompanhar a saúde ocular em microgravidade.

Esses exames são importantes porque astronautas podem apresentar alterações na visão durante missões prolongadas. A microgravidade modifica a distribuição de fluidos no corpo, e isso pode afetar a pressão e a estrutura dos olhos.

Monitorar retina, córnea e cristalino ajuda médicos a identificar possíveis mudanças e desenvolver contramedidas para missões mais longas, como viagens à Lua e a Marte.

Ultrassom para estudar olhos e pressão

Os cosmonautas Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev também fizeram exames oculares, usando o dispositivo Ultrasound 3 no laboratório Columbus.

De acordo com a NASA, médicos em solo acompanharam as varreduras em tempo real para detectar possíveis mudanças causadas pelo espaço na pressão e na estrutura dos olhos.

Esse tipo de monitoramento mostra como a medicina espacial depende de telemedicina. Em missões distantes, a tripulação precisará realizar exames com autonomia crescente, enquanto especialistas na Terra ajudam na interpretação dos dados.

Na ISS, esses procedimentos funcionam como treinamento e pesquisa ao mesmo tempo: protegem a saúde dos astronautas atuais e preparam tecnologias médicas para missões futuras.

Pesquisa cardiovascular em microgravidade

O engenheiro de voo Andrey Fedyaev dedicou sua jornada a estudos sobre como viver no espaço afeta o corpo humano.

Ele colocou sensores no peito para medir a atividade elétrica do coração. Depois, prendeu manguitos no braço, no pulso e nos dedos para medir a pressão arterial em diferentes pontos.

Essas medições ajudam médicos a entender como o sistema circulatório se ajusta à microgravidade. Na Terra, o coração trabalha contra a gravidade para bombear sangue. No espaço, os fluidos se redistribuem, e o corpo precisa se adaptar a uma condição muito diferente.

Esse conhecimento é essencial para reduzir riscos durante missões longas. Se astronautas passarem meses viajando até Marte, por exemplo, precisarão manter coração, vasos sanguíneos e pressão arterial em condições seguras durante toda a missão.

Estudos respiratórios a bordo

Fedyaev também usou um sensor acústico ao redor do pescoço para registrar uma expiração rápida.

Esse tipo de medição pode ajudar a estudar a saúde respiratória em microgravidade. A respiração no espaço ocorre em um ambiente onde a circulação de ar, a distribuição de fluidos e a postura corporal são diferentes das condições terrestres.

Monitorar parâmetros respiratórios ajuda a detectar alterações sutis e a entender como pulmões e vias aéreas se comportam em missões prolongadas.

Assim como os exames cardíacos e oculares, esses dados não servem apenas para a tripulação atual. Eles alimentam modelos médicos que serão usados para planejar viagens mais longas no futuro.

Inteligência artificial também entrou na rotina

A atualização da NASA informa que Kud-Sverchkov e Mikaev também testaram ferramentas de inteligência artificial voltadas a melhorar a eficiência da tripulação e as comunicações no espaço.

Esse ponto é importante porque missões mais distantes da Terra terão atrasos de comunicação maiores. Em uma missão a Marte, por exemplo, uma pergunta enviada à Terra pode demorar vários minutos para receber resposta.

Ferramentas inteligentes podem ajudar astronautas a encontrar procedimentos, diagnosticar problemas, organizar tarefas e operar sistemas com menos dependência imediata do controle de missão.

Na ISS, essas tecnologias podem ser testadas em um ambiente real, mas ainda relativamente próximo da Terra. Isso reduz riscos e permite ajustar as ferramentas antes de missões mais ambiciosas.

Outras tarefas técnicas do dia

Jack Hathaway carregou um implantador com CubeSats em uma plataforma dentro do laboratório japonês Kibo, preparando o equipamento para ser colocado do lado externo da estação.

CubeSats são pequenos satélites modulares usados em pesquisas científicas, demonstrações tecnológicas e educação. A ISS frequentemente serve como plataforma para lançamento ou implantação desses pequenos satélites.

Sophie Adenot encerrou seu turno testando a conectividade de rede de um tablet dentro da espaçonave SpaceX Dragon de tripulação.

Essas tarefas mostram como a estação funciona como um sistema integrado. Enquanto alguns astronautas se preparam para reparos externos, outros cuidam de pesquisa, tecnologia, comunicação, logística e manutenção.

Por que a ISS é chamada de laboratório orbital?

A Estação Espacial Internacional é um laboratório em órbita baixa da Terra. Ela permite realizar experimentos em microgravidade, uma condição praticamente impossível de manter por longos períodos em laboratórios terrestres.

Na microgravidade, fluidos se comportam de forma diferente, células crescem de maneiras incomuns, materiais podem se formar sem sedimentação e o corpo humano passa por adaptações profundas.

Por isso, a ISS é usada para estudar medicina espacial, biologia, física de fluidos, combustão, materiais, tecnologia, observação da Terra e muitos outros temas.

A atualização da Expedição 74 é um exemplo claro disso: no mesmo dia, a tripulação preparou uma caminhada espacial de manutenção e realizou estudos que podem beneficiar tanto astronautas quanto pacientes na Terra.

Por que essas pesquisas importam para Lua e Marte?

Missões futuras à Lua e a Marte exigirão que astronautas passem mais tempo longe da Terra, com menos apoio imediato e maior exposição a riscos.

Na Lua, tripulações poderão viver em bases ou módulos por semanas ou meses. Em Marte, a viagem de ida e volta pode durar anos. Em ambos os casos, problemas médicos precisarão ser diagnosticados e tratados com autonomia crescente.

Estudos de visão, coração, pressão arterial e respiração ajudam a construir esse conhecimento. Eles mostram quais sistemas do corpo são mais sensíveis ao ambiente espacial e quais tecnologias podem monitorar esses efeitos.

Ao mesmo tempo, reparos como o do Canadarm2 ensinam como manter infraestrutura complexa funcionando fora da Terra. Uma base lunar ou uma espaçonave interplanetária também precisará de manutenção, peças substituíveis e tripulações treinadas para resolver problemas técnicos.

O que essa atualização não significa?

A publicação da NASA não relata uma emergência fora de controle na ISS. O defeito no Canadarm2 foi tratado como uma necessidade de manutenção, com peça reserva disponível e procedimento planejado.

Também não se trata de uma descoberta médica definitiva. Os exames realizados naquele dia fazem parte de uma rotina contínua de monitoramento e pesquisa humana.

Da mesma forma, os testes de inteligência artificial citados não significam que a estação esteja sendo operada autonomamente por IA. São ferramentas em avaliação para melhorar eficiência e comunicação.

A forma correta de entender a notícia é como uma fotografia da rotina real da exploração espacial: preparação cuidadosa, manutenção preventiva, ciência aplicada e treinamento para missões futuras.

Conclusão: manutenção e ciência caminham juntas no espaço

A atualização da NASA sobre a Expedição 74 mostra que a vida na Estação Espacial Internacional é muito mais do que flutuar em microgravidade. A tripulação atua como equipe de manutenção, operadores de robótica, técnicos de laboratório, sujeitos de pesquisa médica e testadores de novas tecnologias.

No dia 24 de junho de 2026, Chris Williams e Jessica Meir avançaram nos preparativos para uma caminhada espacial destinada a substituir uma junta defeituosa no Canadarm2. Jack Hathaway e Sophie Adenot apoiaram os procedimentos e treinaram manobras robóticas delicadas.

Enquanto isso, outros tripulantes realizaram exames de visão, ultrassom, medições cardíacas, pressão arterial, estudos respiratórios e testes de ferramentas com inteligência artificial.

Essas atividades podem parecer separadas, mas fazem parte do mesmo objetivo: manter humanos vivendo e trabalhando com segurança fora da Terra.

Cada reparo na ISS ensina como cuidar de infraestrutura orbital. Cada exame médico revela como o corpo reage ao espaço. E cada teste tecnológico aproxima a humanidade de missões mais longas, mais autônomas e mais distantes.

Fonte principal

Este artigo foi produzido com base na atualização do blog da NASA: Spacewalk Preps and Human Research Fill the Expedition 74 Schedule, no aviso à imprensa da NASA NASA to Cover US Spacewalk 95, Host Preview News Conference e na página oficial da Expedição 74.

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