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Júpiter, o gigante gasoso que domina a nossa vizinhança cósmica, é um mundo de superlativos. Com massa suficiente para conter 1.000 Terras e um campo magnético que se estende até a órbita de Saturno, ele é o “Rei dos Planetas”. Mas, apesar de seu tamanho colossal e brilho no céu noturno, Júpiter guarda segredos profundos sob suas nuvens rodopiantes de amônia e água. Para desvendar esses mistérios, a NASA mantém um sentinela robótico solitário em órbita, uma espaçonave que tem revolucionado nossa compreensão sobre como os planetas gigantes se formam e evoluem.
Neste artigo, vamos explorar a missão Juno, a sonda que atualmente “mora” em Júpiter. Vamos descobrir o que ela tem feito desde sua chegada em 2016, quais segredos ela revelou sobre a Grande Mancha Vermelha e as luas geladas, e também olharemos para o futuro com a recém-lançada missão Europa Clipper. Prepare-se para uma viagem aos bastidores da exploração espacial moderna.
Juno: O Detetive em Órbita

A resposta direta para quem vigia Júpiter hoje é a missão Juno. Lançada com o objetivo ambicioso de entender a origem e a evolução do maior planeta do sistema solar, a Juno entrou na órbita de Júpiter em 4 de julho de 2016. Desde então, ela tem operado como um detetive de alta tecnologia, usando um conjunto de instrumentos para “ver” através da densa cobertura de nuvens do planeta e mapear o que acontece lá dentro,,,.
Diferente de missões anteriores que passaram rapidamente pelo planeta (como as Voyagers) ou orbitaram a uma distância maior (como a Galileo), a Juno realiza mergulhos ousados e rasantes sobre os polos de Júpiter, enfrentando níveis de radiação punitivos para coletar dados precisos sobre a gravidade e o campo magnético. Atualmente, a Juno está em sua fase de missão estendida. Originalmente planejada para focar apenas no planeta, essa extensão, que vai até setembro de 2025, transformou a Juno em uma exploradora de todo o sistema joviano. Agora, ela também estuda os anéis tênues do planeta e realiza sobrevoos próximos de três das grandes luas galileanas: Ganimedes, Europa e Io,,.
Descobertas Revolucionárias: O Que Juno Viu?

A presença da Juno em órbita reescreveu os livros de ciência planetária. Uma das descobertas mais fascinantes diz respeito à icônica Grande Mancha Vermelha, uma tempestade anticiclônica maior que a Terra que ruge há séculos. Antes da Juno, não sabíamos se essa tempestade era apenas um fenômeno superficial, como uma nuvem passageira, ou se tinha profundidade. Usando instrumentos de medição de gravidade durante dois sobrevoos próximos, a equipe da missão descobriu que a tempestade se estende por cerca de 300 milhas (500 quilômetros) abaixo do topo das nuvens,. Isso demonstra que os fenômenos meteorológicos em Júpiter são massivos e profundos.
Além disso, a Juno revelou que o “coração” de Júpiter é estranho. Em vez de um núcleo sólido e compacto de rocha e gelo, como previsto por modelos antigos, os dados sugerem que o núcleo é “difuso” ou diluído, misturando-se com o hidrogênio metálico acima dele. A sonda também mapeou ciclones gigantes nos polos do planeta, organizados em padrões geométricos estáveis — um octógono de tempestades no polo norte e um pentágono no polo sul — que desafiam a explicação atmosférica simples,,.
O Futuro Chegou: Europa Clipper
Embora a Juno seja a única sonda atualmente em órbita, ela em breve terá companhia. Em 14 de outubro de 2024, a NASA lançou a missão Europa Clipper a partir do Centro Espacial Kennedy. Esta é a maior espaçonave já construída pela NASA para uma missão planetária. Seu destino não é o planeta em si, mas sua intrigante lua gelada, Europa, que abriga um vasto oceano subterrâneo,,.
A Europa Clipper está agora em sua longa jornada através do sistema solar e deve entrar na órbita de Júpiter em 2030. Ao chegar lá, ela realizará dezenas de sobrevoos próximos da lua Europa para determinar se existem locais abaixo de sua superfície gelada que poderiam suportar vida. Enquanto a Juno nos ensina sobre a física dos gigantes gasosos, a Clipper focará na astrobiologia e na busca por ambientes habitáveis além da Terra,,.
Um Legado de Exploração
A Juno e a Europa Clipper seguem os passos de gigantes. A exploração de Júpiter começou na década de 1970 com as sondas Pioneer 10 e 11, que foram as primeiras a cruzar o cinturão de asteroides e visitar o planeta. Elas foram seguidas pelas lendárias Voyager 1 e 2 em 1979, que descobriram os anéis de Júpiter e o vulcanismo ativo na lua Io,,,.
Antes da Juno, a única outra missão a orbitar Júpiter por longo prazo foi a Galileo (1989-2003). A Galileo lançou uma sonda na atmosfera joviana e fez descobertas fundamentais sobre os oceanos das luas geladas, antes de ser deliberadamente enviada para um mergulho destrutivo na atmosfera do planeta para proteger Europa de contaminação terrestre,. A sonda Cassini também fez uma visita breve, mas produtiva, ao passar por Júpiter no ano 2000 a caminho de Saturno, capturando milhares de imagens detalhadas,.
Curiosidades Rápidas sobre Júpiter
- Dia Curto: Apesar de seu tamanho imenso, Júpiter tem o dia mais curto do sistema solar, completando uma rotação em menos de 10 horas,.
- Luas em Abundância: O planeta possui 95 luas oficialmente reconhecidas, formando um sistema solar em miniatura,,.
- Sem Superfície: Como gigante gasoso, Júpiter não tem uma superfície sólida onde uma nave possa pousar. Uma descida significaria ser esmagado por pressões extremas,.
- Protetor Magnético: O campo magnético de Júpiter é 16 a 54 vezes mais poderoso que o da Terra e cria auroras espetaculares e permanentes nos polos,.
Perguntas Frequentes
Qual missão está orbitando Júpiter agora?
A missão Juno da NASA. Ela chegou em julho de 2016 e deve operar até setembro de 2025, estudando a atmosfera, o interior e as luas do planeta,,.
A missão Europa Clipper já chegou a Júpiter?
Não. A Europa Clipper foi lançada em 14 de outubro de 2024 e está a caminho. Ela chegará ao sistema de Júpiter em 2030,,.
Por que a Juno vai ser desativada?
Espaçonaves em Júpiter sofrem com radiação intensa que degrada seus eletrônicos. A missão estendida da Juno vai até 2025, após o qual ela provavelmente será desorbitada na atmosfera de Júpiter para evitar colidir com e contaminar as luas geladas como Europa.
O que a Juno descobriu sobre a Grande Mancha Vermelha?
Ela descobriu que a tempestade não é superficial. A Grande Mancha Vermelha tem “raízes” que descem cerca de 500 km (300 milhas) na atmosfera, muito mais fundo do que onde a água condensa,.
Fontes: NASA Jupiter Exploration, NASA Juno Mission, NASA Europa Clipper Press Kit, NASA Science Solar System.




