Sol dispara rajada extraordinária de flares enquanto nova mancha solar volátil vira para a Terra

O Sol entrou em modo “fábrica de flares” entre 1 e 2 de fevereiro de 2026, com dezenas de erupções, incluindo flares de classe X. A região ativa AR4366 está girando para ficar de frente para a Terra, o que aumenta a chance de novos eventos capazes de afetar comunicações de rádio, satélites e (se houver CME bem direcionada) a atividade geomagnética.
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O que está acontecendo: o Sol entrou em modo “rajada”

Entre 1 e 2 de fevereiro de 2026, o Sol liberou uma sequência incomum de flares em poucas horas, com uma mistura de eventos M (moderados) e X (os mais fortes). O destaque foi uma flare de classe X8.3, descrita como a mais intensa do ano até então, parte de uma “barragem” de erupções que chamou atenção de observadores e serviços de monitoramento de clima espacial.

Flares são explosões de energia na atmosfera solar causadas por reconexão magnética (quando linhas de campo magnético se reorganizam rapidamente e liberam energia). Elas lançam radiação (principalmente raios X e ultravioleta extremo) que pode chegar à Terra em minutos e alterar a ionosfera — a camada que afeta propagação de sinais de rádio.

O “motor”: uma mancha solar nova e volátil virando para a Terra

A atividade foi associada à região de manchas solares AR4366, que se desenvolveu rapidamente e apresenta um campo magnético complexo (o tipo de configuração que costuma produzir flares fortes em sequência). O ponto crítico é geométrico: a região está girando para ficar de frente para a Terra, o que aumenta a probabilidade de que novas erupções (e eventuais CMEs) tenham maior chance de nos afetar.

Quando uma região ativa está no “meio” do disco solar (voltada para nós), qualquer emissão na nossa direção tem um caminho mais direto para impactar a Terra — seja por radiação (efeitos imediatos na ionosfera) ou por plasma/campo magnético (efeitos mais tardios se houver CME).

O que pode acontecer aqui: rádio, satélites e (às vezes) auroras

A consequência mais imediata de flares fortes é o apagão de rádio em certas frequências (principalmente HF, usadas em comunicações de longa distância). No caso da flare mais forte do episódio, houve relato de blackout de rádio em nível elevado em regiões do lado diurno do planeta no momento do evento.

Já as auroras dependem mais de ejeções de massa coronal (CMEs). Uma CME é um “pacote” de plasma e campo magnético lançado do Sol. Se vier na direção da Terra e com orientação magnética favorável (Bz sul), pode gerar tempestade geomagnética e ampliar o alcance das luzes polares.

Imagens e explicação visual

Imagem 1: O Sol durante o período de alta atividade, com destaque para a região ativa associada à sequência de flares. Crédito: Space.com.

Em imagens solares, regiões ativas aparecem como áreas “agitadas” e magneticamente complexas. Quando essa complexidade aumenta, também cresce a chance de flares em cadeia — como se a região estivesse liberando energia acumulada em etapas.

GIF mostrando a evolução de flares solares e/ou a rotação de uma mancha solar volátil se posicionando em direção à Terra
Imagem 2: Animação (GIF) destacando a evolução das erupções e/ou a rotação da região ativa em direção ao nosso campo de visão. Crédito: Space.com.

A rotação do Sol faz com que regiões ativas “entrem” e “saiam” do nosso campo de visão ao longo de dias. Quando uma mancha solar muito ativa gira para o centro do disco, a vigilância aumenta porque qualquer evento forte tem mais chance de produzir impactos detectáveis na Terra.

O que observar agora: por que os próximos dias importam

O principal alerta é simples: a região AR4366 ainda pode produzir novas flares. E mesmo que muitas flares causem apenas efeitos rápidos (como apagões de rádio), a situação muda se uma flare vier acompanhada de uma CME direcionada.

Para acompanhar com segurança, vale observar boletins de clima espacial e mapas de blackout de rádio. Se você curte observar o Sol, faça isso apenas com filtros solares certificados (nunca use improvisos).

Perguntas frequentes (FAQ)

O que significa “classe X” e “classe M”?

É a escala de intensidade de flares solares (A, B, C, M, X). Cada letra representa um salto de 10× em energia. A classe X é a mais forte; a M é forte/moderada e pode causar interrupções de rádio.

Uma “rajada” de flares significa que vai ter tempestade geomagnética?

Não necessariamente. Flares causam efeitos rápidos na ionosfera, mas tempestades geomagnéticas dependem principalmente de CMEs atingindo a Terra com orientação magnética favorável.

Por que a mancha solar “virar para a Terra” importa?

Porque, quando a região está de frente para nós, qualquer evento emitido naquela direção tem mais chance de impactar a Terra — seja como blackout de rádio (minutos) ou como tempestade geomagnética (dias, se houver CME).

Isso afeta internet e celular?

O efeito mais comum é em rádio HF e, em certos cenários, em GNSS/GPS e operações de satélites. Para a maioria das pessoas, impactos diretos em “internet/celular” não são o padrão, mas setores como aviação, navegação e comunicações por rádio podem sentir primeiro.

Dá para ver manchas solares como essa?

Algumas manchas grandes podem ser vistas com óculos de eclipse ou com equipamentos próprios de observação solar. Nunca olhe para o Sol sem proteção adequada e certificada.

Fonte: Space.com — Sun unleashes extraordinary solar flare barrage as new volatile sunspot turns toward Earth .