Juno redefine o tamanho e a forma de Júpiter: planeta é menor e mais “achatado”

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Juno redefine o tamanho e a forma de Júpiter: o gigante é menor e mais “achatado” do que se pensava

Frase-chave de foco: tamanho e forma de Júpiter Juno

Júpiter não “encolheu” — mas nossas medições ficaram melhores. Um novo resultado da missão Juno, da NASA, mostra que o maior planeta do Sistema Solar é cerca de 8 km (5 milhas) mais estreito no equador e cerca de 24 km (15 milhas) mais achatado nos polos do que as estimativas usadas por décadas. A atualização refina padrões de referência importantes para comparar gigantes gasosos, inclusive exoplanetas.

Infográfico: “Júpiter: menor, mais achatado”. O raio equatorial foi atualizado de 71.492 km (antes) para 71.488 km (depois da Juno). Crédito: NASA/Juno (via NASA Science).

O que mudou: números pequenos, impacto grande

As diferenças parecem pequenas para um planeta gigante, mas são enormes para a ciência de precisão: Júpiter é usado como um padrão de calibração em modelos de planetas gasosos. Agora, com a forma do planeta melhor definida, astrônomos conseguem comparar observações e simulações com mais consistência — principalmente quando analisam planetas que passam em trânsito na frente de suas estrelas.

Como a Juno mediu isso: “ocultação por rádio”

A equipe analisou dados de ocultação por rádio em 13 passagens (flybys) da Juno por Júpiter e incorporou os efeitos dos ventos zonais (os ventos que circulam em faixas). O método funciona assim: a Juno envia sinais de rádio para a Deep Space Network (DSN) na Terra. Quando o sinal atravessa a ionosfera e camadas superiores da atmosfera joviana, ele é curvado e atrasado.

Medindo a mudança na frequência do sinal (causada por essa “dobradinha” no caminho), os cientistas estimam temperatura, pressão e densidade de elétrons em diferentes profundidades. A partir desses perfis, dá para reconstruir com alta precisão a forma global do planeta.

Por que a medida anterior estava “travada” nos anos 1970

Antes, as dimensões físicas de Júpiter se baseavam em apenas seis experimentos de ocultação por rádio realizados pelas missões Pioneer e Voyager na década de 1970. A Juno trouxe mais geometria de observação, mais dados e um modelo mais completo do papel dos ventos na forma do planeta — por isso a revisão ficou possível.

O que vem agora

Segundo a NASA, os resultados foram publicados em 2 de fevereiro de 2026 na revista Nature Astronomy. Além de “atualizar os livros”, o ganho real está em melhorar os modelos do interior de Júpiter e, por extensão, os modelos de gigantes gasosos em outros sistemas estelares.

Perguntas frequentes (FAQ)

Júpiter ficou menor de verdade?

Não. O planeta não mudou de tamanho. O que mudou foi a precisão das medições, graças aos dados da Juno e a técnicas mais refinadas de análise.

O que significa “mais achatado nos polos”?

Planetas que giram rápido tendem a ter um abaulamento no equador e polos “amassados”. A Juno mostrou que esse efeito é um pouco menos pronunciado do que se estimava antes.

Por que isso importa para exoplanetas?

Júpiter é uma referência para modelar gigantes gasosos. Um valor mais preciso do raio e da forma melhora a calibração usada para interpretar dados de exoplanetas, especialmente em observações de trânsito.

Fonte oficial

Fonte: NASA Science — NASA’s Juno Mission Redefines Size, Shape of Jupiter. (Publicação em 4 de fevereiro de 2026.)